Quando era miúdo vi muitos filmes. Tanto no cinema como na TV a cores que os meus pais tinham comprado recentemente. Com o meu pai via os filmes de terror e porrada. Com o meu avô via os antigos westerns americanos a preto e branco. Na verdade não me lembro se os filmes eram a preto e branco ou não, porque era a antiga TV dos meus pais… a preto e branco. Com o meu tio e o meu primo via os filmes de artes marciais. Ali algures no meio dos anos 80 houve um boom de filmes de artes marciais, talvez por causa do sucesso do Bruce Lee. Mas outros nomes começaram a aparecer. Jackie Chan foi um desses nomes (inclusive com pequenas participações nos filmes do Bruce Lee…). Durante um tempo ainda “jeitoso” fiquei vidrado nestes filmes de artes marciais. Muitos eram do Chan, outros nem sei quem era os protagonistas. A maior parte era como os “normais” mas também haviam outros com ninjas. Foi uma fase estranha…
Seja como for, normalmente, estes filmes seguiam uma única lógica, muito própria, que incidia essencialmente sobre dois valores: Honra e vingança.
Na realidade era só um argumento de base para “porrada velha”, maneirismos exagerados e truques acrobático-marciais levados ao extremo. Uma grande parte já nem sequer consigo identificar, mas lembro-me de serem maus, com dobragens em inglês nitidamente desfasadas. (Se as pessoas costumavam gozar com este fenómeno nas telenovelas mexicanas que andaram por cá nos anos 90, deviam ter visto o cómico que eram estes filmes…). Mas alguns filmes ficaram-me na memória. Este Druken Master foi um deles. Jackie Chan é um gajo tão genuíno que não consigo resistir aos seus filmes. E ainda por cima, a maior parte dos filmes nem sequer são bons. Este do Woo-Ping Yuen ainda escapa, mas alguns eram mesmo mauzinhos… A grande estrela é mesmo o Jackie Chan. Estou a divagar novamente… É que também não há muito a dizer sobre o filme. É o que disse. Vingança. Honra. Porrada. Artes marciais (neste caso muito particular, no estilo “bêbado” [WTF?!?!]). Coreografias ridiculamente artificiais a roçar a comédia. Som dos socos e pontapés “engarrafados”. Final com justiça aplicado ao mau da fita. Inocência e genuinidade. Uma maravilha de se ver. ●●●○○
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