Apanhei este filme na TV e fiquei boquiaberto. Nunca tinha ouvido falar neste filme do Francis Ford Coppola. Grande cinematografia, grande jogo de luzes e grande realização com pormenores visuais do outro mundo. Acima de qualquer outra razão, fiquei com a nítida sensação que Coppola fez este filme para se consagrar como o grande realizador americano daquele tempo. Tinha acabado de lançar um filmito simpático de nome Apocalipse Now. Acho que as pessoas já ouviram falar deste filmito simpático. O que é estranho é que este One from the Heart é uma espécie de extensão visual do filme anterior… mas no género musical/drama?!…
Quando me refiro a uma extensão não é no filme propriamente dito, mas mais na questão mental do próprio realizador. Depois de todos os problemas a filmar o derradeiro épico de guerra em locais por todo o mundo (com todos os problemas, perigos e peripécias que se conhece), Coppola decide fechar-se num estúdio e controlar tudo ao mais ínfimo pormenor. Construiu tudo de raiz em Las Vegas e acabou por rebentar com o orçamento. Com isso, levou a sua própria produtora à falência e, no final, acabou por conceber um “épico” froxo, repleto de pormenores visuais deliciosos mas que no geral ninguém liga puto. O resultado final foi ser relegado para a segunda liga dos realizadores. E pior, voltou a pô-lo exactamente no local onde não queria estar: novamente sob o jugo dos grandes estúdios e sem controlo absoluto sobre os seus filmes.
Não sei se é coincidência ou não, mas One from the Heart parece-me mais ajustado em termos de lógica mental do que título.
Há várias razões para o falhanço. Os dois actores principais (Frederic Forrest, Teri Garr)não têm química nenhuma. Lá se foi a parte do romance. A parte musical é muito má, com aquelas músicas soturnas do Tom Waits que parecem sempre iguais. Só faltava mesmo um dueto com o Leonard Cohen… Lá se foi a parte do musical. E depois a história não é propriamente um exemplo de novidade. Lá se foi o drama com o caraças… Nos secundários há Raul Julia, Nastassja Kinski e Harry Dean Stanton. Ninguém se destaca particularmente, abafados pelo abuso na mestria visual. Resultado: um dos filmes que fica para a história por (quase) todos os maus motivos. É mesmo estranho como é que isto aconteceu ao Coppola. One from the Heart é mais uma peça arqueológica de um dos melhores realizadores de sempre, do que propriamente um bom filme. ●●●○○
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