Valha-me gajos como o Ridley Scott para poder ver um filme normal. Não sendo inesquecível, The Last Duel é um bom filmito, muito por culpa da estrutura narrativa. A história é relativamente simples envolvendo um crime de honra em tempo medievais, mas que poderia facilmente ser adaptado para qualquer época mais recente. O que eleva o filme é a divisão da narrativa em três partes, segundo os pontos de vista das personagens principais e de como eles próprios contam e interpretam os acontecimentos violentos em que foram envolvidos. Numa altura actual, dominada pela desinformação, é interessante perceber que a mesma história pode ser contada e vista de várias formas conforme o ponto de vista. Scott não escolheu a temática ao acaso. A verdade. Como é que se define a verdade se várias pessoas percecionam a verdade de formas diferentes? Apesar de ser uma história de enganos e duelos num ambiente medieval, tudo se resume (mais que as lutas de poder, que são só o mote para a história arrancar) à derradeira pergunta: como é que se define a verdade?
Ridley Scott é já um daqueles gajos que faz filmes com uma perna às costas. Está mais importado com a temática do que com a estética ou técnica. E isso nota-se. Está numa fase em que, mais do que fazer filmes visuais, tem algo para dizer. E isso também se nota; os filmes cada vez são menos “polidos” (se bem que neste caso até encaixa bem) visualmente e mais rebuscados na narrativa. Jodie Comer, Matt Damon, Ben Affleck, Adam Driver dão corpo às personagens principais, mas apenas Damon e Driver se destacam pela positiva
The Last Duel, não sendo um filmalhaço, por causa da estrutura da história, acaba por ser diferente do habitual e que se vê bastante bem. ●●●○○
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