Em termos de história, Good Time é um filme muito simples, onde quase tudo acontece ao longo de uma noite. Na realidade, não é nada simples e até tem bastantes texturas e camadas. O título – que parece não encaixar com o resto do filme-, é uma alusão linguística à redução de pena de prisão por bom comportamento na América. Dois irmãos – cada um deles incapacitado à sua maneira (mental e/ou socialmente…) – decidem assaltar um banco, mas a coisa corre mal. O irmão mais frágil, com problemas psíquicos, acaba por ser preso, o que leva o outro irmão mais “funcional” a tentar libertá-lo numa verdadeira corrida contra o tempo, pois percebe que numa prisão, o seu irmão não irá aguentar muito tempo vivo. As suas inaptidões sociais vão acabar por colocá-lo em situações estranhas e perigosas. É uma espécie de tour psicadélica pela noite mais underground de Nova York. Gostei muito disto. Vou deixar debaixo de olho esta dupla de irmãos Safdie. Há por aqui demasiadas coisas boas para ser só uma coincidência. Estes gajos são muito bons. Good Time é um filme muito cru, muito realista (até mesmo nas situações surrealistas em que a personagem de Robert Pattinson se coloca), com um ar muito punk, no sentido sujo da coisa, se é que me faço entender… Há muito tempo que Robert Pattinson tenta fugir da lógica do “vampiro bonito”. Devo dizer que fez muito bem e, com este tipo de filmes, está cada vez mais longe dessa patetice. Foi uma aproximação muito inteligente e que tem dado bons resultados. E claro que também há a Jennifer Jason Leigh que merece sempre o meu destaque. Se a fotografia é fantástica, cheia de cores escuras mas sempre rasgadas por néons, o melhor acaba mesmo por ser a banda sonora original. Tem uma energia fantástica que confere um andamento espectacular e stressante ao filme. Uma surpresa inesperada. ●●●○○