Há muito tempo que os mafiosos exercem um estranho fascínio nos escritores, realizadores e até no público de cinema. Não é difícil de perceber o porquê. Os mafioso têm um estilo próprio, são poderosos, ricos, impõe respeito, não acatam ordens de toda a gente, não são “empurrados contra a parede”… até que inevitável e inesperadamente levam um balázio nos cornos ou calçam uns “sapatos de cimento” e vão “falar com os peixinhos”… Deve ser por isso que são sempre acarinhados pelos cinéfilos: são os maus da fita mas têm uma estranha dualidade: são ao mesmo tempo duros e frágeis, o que os torna muito humanos. São uma espécie de super-heróis mas sem terem super-poderes. Pelo menos é o que eu penso. Por isso não resisto a um filme com mafiosos. Quando li (e vi) que Johnny Depp entraria nesta categoria, não resisti a dar uma vista de olhos. E tenho de dizer que é surpreendente. Black Mass é um bom filmito de mafiosos. Muito jeitoso. Mas a surpresa está mesmo no facto de o principal ser o Johnny Depp. Há muito tempo que decepciona, mas não é este o caso. Está impecável. Suporta todo o filme às suas costas. Também ajuda o excepcional leque de actores de suporte (Joel Edgerton, Benedict Cumberbatch, Dakota Johnson, Kevin Bacon, Peter Sarsgaard) e uma realização muito controlada e segura de Scott Cooper, mas o destaque tem de ser todo para o Johnny Depp. O guião foi muito bem escrito e pega numa história tão rocambolesca que nem parece verdade. Mas incrivelmente é baseado numa história real, com personagens reais, o que torna este Black Mass numa espécie de biopic do crime… A realidade é sempre mais estranha que a ficção…. Black Mass foi uma boa surpresa. Não é inesquecível mas vê-se muito bem. ●●●○○

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