Um filme que toca em muitos aspectos interessantes não é necessariamente um filme interessante. É o caso de Downsizing. Gostei muito da premissa inicial e tinha imensa curiosidade em perceber para onde o filme me levaria. Tristemente, não me levou a lado nenhum. Ao invés de ser levado numa aventura e deslumbrado com esse “admirável novo mundo”, apenas me deixei estar sentado a olhar para o ecrã, vendo pessoas com 5 cm de altura a portarem-se exactamente da mesma formas que as “normais”, num cenário mais pequeno mas que sem perspectiva de comparação era exactamente igual ao “normal”, e a determinada altura esqueci-me que estava a ver um filme em que a premissa inicial era a de miniaturizar pessoas… Estava a ver uma sátira com contornos sociais. Não foi bem isso que “venderam” no trailer… Mas tudo bem. Aceito a parte do “engano” do trailer. O problema é que o filme não tem muito interesse. Alexander Payne até começa bem, mas depois parece que a história bloqueia e regressa ao mundo dos grandes. E aí o filme torna-se rotineiro e linear e pior, parece que não tem um rumo muito definido. Basta lembrar que toda lógica do filme começa porque há uma enorme preocupação com as alterações climáticas e com o preservar o mundo da sobre-população humana, mas depois toda esta temática simplesmente desaparece do guião… É no mínimo estranho, o caminho que o filme trilha…
Matt Damon, Christoph Waltz, Hong Chau e um dos meus actores favoritos de sempre, Udo Kier apoiam-se na capacidade superior dos diálogos que têm à disposição e assim ajudam a minimizar os danos causados pela falta de objectividade do próprio argumento. Downsizing é aceitável, mas face às potencialidade da própria história. poderia ser muito melhor. Esperava mais, mas vê-se bem. ●●○○○