Danny Boyle é um gajo que curto há muito tempo. É daqueles realizadores que sei de antemão que não me vai desiludir. Mas desta vez acabou mesmo por acontecer. Steve Jobs é um desilusão de filme. Esperava muito mais.
O filme retrata alguns aspectos marcantes do co-fundador da Apple em três momentos temporais distintos: em 1984 aquando do lançamento do Macintosh; em 1986, quando o mundo dos computadores ficou chocado com o despedimento de Jobs e sequente criação do enorme falhanço que foram os computadores pretos da NEXT; e em 1997 com o regresso à casa onde “nasceu” para lançar o iMac, o pequeno computador colorido que foi um sucesso porque toda a gente queria ter um só por ser extremamente giro.
Eu não tenho problema nenhum com filmes “partidos”. Muito pelo contrário. Gosto muito de argumentos não-lineares. E neste caso, como é costume, Aaron Sorkin não desilude e consegue habilmente costurar três histórias “diferentes” e distantes no tempo. MAs para mim há algo que falha. A demasiada incidência na vida de Steve Jobs por “trás da cortina” (percebe-se a lógica, já que os fãs tratavam-no [e ainda tratam] como um verdadeiro Feiticeiro de Oz [com todas as implicações que isso traz…]), acabou por transformar um biopic de Jobs no filme em que Jobs vive a sua vida inteira nos bastidores, vãos de escadas, passagens estreitas e garagens subterrâneas. Não me lembro bem, mas acho que há apenas uma única cena de exteriores… A determinada altura o filme torna-se repetitivo e por vez até maçador. A ex-mulher e a filha estão presentes, mas aparecem e desaparecem, assim como toda a restante gente… Parece que o Jobs vivia literalmente num daqueles camarins escuros e distante da realidade e era visitado regularmente por meio mundo que o vinha chatear mesmo antes de ele apresentar um produto novo qualquer… Parece uma paródia. Mas não é.
O que poderia ajudar muito a elevar o filme seriam os actores. Michael Fassbender, Kate Winslet, Seth Rogen e Jeff Daniels são muito bons, mas de alguma foram parecem desligados do enredo. Posso ser só eu, mas nunca consegui “ver” o Fassbender como Jobs. Há algo ali que não bate certo. Foi como estar a ver uma personagem ficcional com o mesmo nome do Jobs, mas que não era “o” Jobs. E ainda por cima dá a impressão que contaminou o resto do elenco.
Os grandes (Danny Boyle) também “falham” e este é o caso. Steve Jobs não é um mau filme, mas também não é um bom filme. Tendo por base, uma personagem tão rica como a figura de Jobs, vindo de um realizador que até é dos mais favoritos, e face à expectativa que foi criada na altura da estreia, Steve Jobs só pode ser classificado como uma enorme desilusão. ●●○○○