O tema do Super-Homem é infindável e já foi abordado milhentas vezes, sobre os mais variados aspectos e até noutros filmes, como naquele excepcional monólogo no final do Kill Bill 2. É simplesmente o melhor super-herói de sempre, o que lhe traz um problema inerente: não tem um super-vilão equivalente. É tão simples quanto isso. E isso repercute-se nos próprios filmes, tornando-os de certa forma desinteressantes, porque um gajo sabe que o Super-Homem, no final, vai sempre ganhar a contenda. Não há aquela dúvida “normal” se o herói se vai safar ou não.
Por isso mesmo, dou os parabéns ao Zack Snyder, por conseguir “rebootar” a história pela enésima vez e ainda assim, conseguir dar-lhe alguns pontos de interesse. Também ajuda bastante ter um elenco muito bom. Em destaque óbvio, o Henry Cavill. Tem um look e passa um tipo de personalidade no ecrã, que encaixa perfeitamente como Homem de Aço. É difícil bater a prestação icónica do Christopher Reeve como Super-Homem. O filme “original” foi tão marcante que, de certa forma, uma pessoa imediatamente associa a cara do Christopher Reeve à do Super-Homem. (Já alguém imaginou outra cara para o Indiana Jones que não fosse a do Harrison Ford?!) Isto faz com que o actor que venha “a seguir” seja sempre uma cara “estranha” no papel. Mas neste caso, Henry Cavill foi uma excelente escolha. Fez-me todo o sentido. Tem o equilíbrio perfeito entre o “frágil” e humano Clark Kent e o “deus” imortal Kal-El. O resto do elenco (Amy Adams, Russell Crowe, Michael Shannon (excelente, mais uma vez), Diane Lane, Kevin Costner e Laurence Fishburne) são todos excelentes, o que ajuda sempre.
A história está muito bem engendrada, muito bem escrita e vira para modernidade, digamos assim, ao assumir o que já era evidente: o Super-Homem é efectivamente um extra-terrestre, e mais grave que isso, os seus super-poderes tornam-no numa possível ameaça para a Humanidade, o que irá sempre dividir as opiniões. Nesse aspecto, foi muito bem escrito e mais importante ainda, foi muito bem pensado.
Apesar de tudo o que tem de bom, Man of Steel, não deixa de ser mais um filme do Super-Homem, mais uma remake/reboot, numa história que já começa a ser de tal forma incontornável, que se torna banal. Por muito que eu goste do Super-Homem (e talvez seja mesmo o meu super-herói favorito [sempre num renhido ex-aequo com o Batman, claro está…]) não vou suportar remakes/reboots para sempre. Neste caso, só mesmo o tratamento exemplar de Zack Snyder é que o torna aceitável e até bom de ser ver. Surpreendeu-me pela positiva. ●●●○○

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