O que acontece com os super-heróis quando ficam velhos? Será que envelhecem? O que acontece quando tiverem filhos? As mutações genéticas passam para a geração seguinte? Podem sequer ter filhos? No mundo fantástico dos super-heróis, sempre foram as questões mundanas e lógicas que me intrigaram. Mas sempre me intrigou mais saber se é possível fazer um filme de super-heróis para o público adulto? É bem possível. Logan é a prova disso. Está muito bem feito. Digo mais, surpreendentemente bom. James Mangold com esta apresentação, é um realizador a ter debaixo de olho.
É violento, visceral, realista, estranhamente humano e recheado de claras alusões religiosas.
A história de Logan passa-se em 2029, numa altura em que o Wolverine (Hugh Jackman) está algo debilitado porque desenvolve uma alergia ao adamantium que tem por todo o corpo. O Professor Xavier (um impressionante Patrick Stewart), devido à idade avançada, tem uma doença degenerativa que torna os seus poderes incontroláveis, o que leva a que esteja dependente de medicamentos e isolado do resto do mundo. A juntar a tudo isto, os outros mutantes – vistos como indesejáveis – estão quase todos mortos, desaparecidos ou são mal tratados. Aqui também não há vilões extravagantes e cheios de poderes e raios laser. Quer dizer, não há super-vilões, apenas há vilões, mas esses são os “normalíssimos” humanos, implacáveis e tão ou mais cruéis que qualquer super-vilão digital.
Fiquei com a impressão que Logan é uma experiência. Tipo um teste às audiências, para ver a reacção a um novo começo, com novos super-heróis. Não sei se a ideia da Marvel é fazer um reboot diferente (com menos foguetório digital e mais dramático) ao tema do super-heróis. É que isto dos remakes e reboots constantes, sempre iguais, também não podia durar para sempre, não é verdade?
Para não estragar o efeito surpresa de quem não o viu, resumindo, Logan é um filme de acção e super-heróis, mas estranhamente é um bom filme. Diria mesmo, muito bom. Para mim, o melhor filme de super-heróis de sempre. Dentro da temática, acho que será difícil fazer melhor.
Uma última palavra para Hugh Jackman. Há actores que quando fazem um papel popular e icónico, passado uns anos fartam-se da personagem que encarnam e simplesmente, por questões de gestão de carreira e por não quererem ficar conotados para sempre com a imagem da própria personagem, querem ver-se livre dela a todo o custo. É o chamado Bond Effect. Nem sei se o termo existe, mas basicamente é isso. Jackman fez uma coisa única: apesar do óbvio cansaço a fazer de Wolverine, abraçou a sua personagem até ao fim. É raro. E é de louvar. Obrigatório ver. ●●●●○

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