Descobri que há duas formas de se ser enganado no cinema. A primeira é ir ver um daqueles filmes cujo trailer diz “totalmente inovador” ou “nunca se viu nada assim” e, quando se vê o filme, percebe-se que afinal é igual a tantos outros. A segunda forma é ir ver um filme de que pouco ou nada se conhece e depois de quase duas horas, ser totalmente surpreendido pelo final, ficando de boca aberta a olhar para os créditos a pensar: “como é que eu não percebi?”… É o caso de The Sixth Sense. Nunca me senti tão enganado. Mas no bom sentido. Não estava nada à espera do final. É quase como um passo de magia. Uma pessoa está tão distraída com os pormenores que não percebe que é tudo um truque. Brilhante. Nunca mais me esqueci do filme.
Um miúdo que consegue comunicar com espíritos recebe a ajuda de um psicólogo… Não vale a pena falar muito de The Six Sense. É um daqueles mega-sucessos (totalmente justificado) que toda a gente conhece. Assim como a frase icónica “I see dead people” que se tornou numa expressão pop.
É um excelente filme, excepcionalmente bem escrito, mas especialmente, por ser um filme diferente. Não encaixa bem em nenhum estilo ou classificação temática. Nem é um filme de acção, nem drama, nem de terror. É uma mistura de tudo e uma classe própria.. É um filme tipo “The Six Sense”, lá está…
Metade dos louros vão direitinhos para o ilusionista M. Night Shyamalan. Aguentou espectacularmente o filme (e a magia) até àquele final irrepetível. É pena que tenha vindo sempre a decrescer desde então…
A outra metade vai para o miúdo, Haley Joel Osment, que é a “alma” do filme. É impressionante o encaixe dramático de um actor com tão pouca idade. Parece um adulto a representar dentro do corpo de um miúdo. Impressionante. Vão ser precisos mais 50 anos para encontrar outro igual. O casting secundário também ajuda: Bruce Willis (sim, secundário, porque o personagem principal é o Cole Sear), Toni Collette e Donnie Wahlberg dão suporte a uma história que ficou para a história.
Tenho pena que devido ao twist, The Six Sense só se possa ver uma vez com a intensidade da primeira. Mas mesmo assim é filme para se rever. ●●●●●