Perfume: The Story of a Murderer conta a história de um perfumista. Isto é a descrição resumida. A descrição completa é muito mais estranha. Nos finais do século XVIII, nasce Jean-Baptiste Grenouille, literalmente no meio de cabeças de peixe podre, debaixo da bancada de trabalho da mãe. Abandonado à nascença, pois a mãe é morta por uma multidão em fúria, Grenouille é entregue num orfanato. Talvez por ter nascido no meio da pestilência e da sujidade, ele desenvolve um excepcional sentido de olfacto. Ao mesmo tempo que o ostraciza do contacto pessoal, este quase super-poder, leva-o ao mundo exclusivo dos perfumistas. Aí aprende a requintada arte dos perfumes e dos aromas com um antigo artificie famoso mas agora caído em desgraça e esquecimento.
Mas o propósito de Grenouille não é a criação do melhor perfume, algo que consegue fácil e instintivamente. Ele procura a derradeira fragrância, aquele aroma que quem o cheirar, entrará imediatamente num êxtase absoluto e se sentirá como se estivesse no Paraíso. Para isso terá de capturar um elusivo aroma apenas presente nas jovens mulheres… Mas como é dito frequentemente, o caminho para o Paraíso passa pelo Inferno…
A história de Perfume: The Story of a Murderer, sobre cheiros e aromas que pairam invisíveis para os comuns mortais excepto para um assassino “ingénuo” que tenta capturar a verdadeira alma das coisas, é estranha o suficiente para que muita gente ou a deteste ou a adore. Estou no segundo grupo. Nos últimos anos, é das histórias mais originais que me lembro de ver em filme. Adaptado do livro de Patrick Süskind, Perfume é um dos meus filmes favoritos e por várias razões. Pela realização extremamente cuidada de Tom Tykwer, pela música perfeitamente integrada e, obviamente pela história excepcional. E ainda tem actores muito bons como Alan Rickman, Rachel Hurd-Wood, Dustin Hoffman e a voz inconfundível de John Hurt como narrador. Destaque principal para um actor pouco conhecido, Ben Whishaw, que tem aqui, provavelmente, a performance de uma vida. Não estou a ver outro actor naquele papel. É daquelas situações em que o actor se mistura com a personagem.
Perfume: The Story of a Murderer, uma das maiores produções alemãs de sempre, apesar de se tratar de perfumes e aromas, lembra-me sempre uma lâmina de barbear: muito leve, mas extremamente cortante. Não é daqueles filmes únicos que levaria para uma ilha deserta, mas pela sua singularidade, Perfume: The Story of a Murderer ficou-me para sempre gravado na memória. ●●●●○