Em 1959, uns miúdos de uma escola criam uma cápsula do tempo. Desse grupo de miúdos destaca-se uma miúda estranha que ouve vozes vindas do céu. A contribuição dessa miúda é uma enigmática série de números aparentemente aleatórios rabiscados num papel. Quando abrem a cápsula do tempo, 50 anos mais tarde, um outro miúdo fica com a estranha listagem e mostra-a ao pai (Nicolas Cage) que descodifica o terrorífico significado: é uma lista de datas de acontecimentos trágicos catástrofes naturais e o respectivo número de mortos. A premissa é: o que acontecerá quando os números acabarem?
Kowing (2009) de Alex Proyas é o exemplo gritante do filme-catástrofe de ficção científica/acção que tem ideias interessantes e meia dúzia de boas cenas, mas depois fica refém da própria premissa e vai perdendo força até desaparecer por completo. Quando vi o trailer e percebi que era um filme do Alex Proyas (do genial “The Crow” e também do “Dark City“) fiquei curioso: será que ele consegue finalizar bem uma premissa tão grande? Depois percebi que não conseguiu.
Há um “erro” muito comum nos filmes recentes: parece que começam com uma história muito interessante que ninguém sabe muito bem como vai acabar. Nem mesmo os argumentistas. Depois, quando o filme se aproxima das duas horas de duração, parece que tem de acabar de qualquer maneira. Em termos de trailer é uma maravilha. Aguça a curiosidade e leva pessoas ao cinema. Em termos de filme é péssimo. É como ver um bolo espectacular numa montra e não resistir a provar para depois descobrir que o bolo afinal sabe a… bolo normal. É uma decepção. E o bolo até nem é mau de todo, mas uma pessoa está à espera que saiba tão bem quanto aparenta ser. É o principal problema deste filme: promete demasiado e depois não consegue cumprir. Isso, e não explicar uma série de pontas soltas no argumento, como por exemplo, os extra-terrestres.
A realização é competente, os actores são competentes e o resto do filme também é competente, mas sem deslumbrar. Como se costuma dizer na gíria crítica: “é um filme competente, mas não memorável”. O que traduzido quer dizer: “é um daqueles filmes bons para se estar entretido ao domingo de tarde com uma mantinha nas pernas”. ●●○○○