Sou um fã incondicional do tema da ficção científica. Juntamente com o documentário, acho que é a temática mais completa para se apresentar em filme. Por isso mesmo, nunca perco a oportunidade de ver um filme destas categorias, mesmo sabendo que na maior parte dos casos o resultado final é uma desilusão. Neste caso são dois blockbusters de ficção protagonizados por Tom Cruise. A temática é a mesma, o actor é o mesmo, mas as histórias são tratadas de forma diferente, o que torna um dos filmes muito melhor que o outro.
Primeiro, o menos bom. Em Oblivion (2013), a história centra-se em Jack Harper (Tom Cruise) que faz reparações de drones num planeta Terra devastado após uma guerra com extraterrestes. Ele e a mulher são dos poucos que ainda vivem na Terra e esperam uma oportunidade para se juntar aos restantes humanos que vivem agora numa lua de Saturno. Nenhum deles tem memórias completas da sua vida passada e da devastação da Terra, mas Jack tem sonhos recorrentes. Tudo está tranquilo até ele descobrir uma nave caída com vários tripulantes mortos e… a mulher que aparece nos seus sonhos.
O tema da ficção científica com extraterrestres já está” muito batido”. É o resultado de anos e anos de blockbusters, por isso dou sempre um desconto a histórias que parecem decalcadas de outros filmes. E até compreendo que seja difícil fazer algo totalmente novo, mas já não compreendo que se insista constantemente nos velhos estratagemas do “esquecimento com sonhos vagos que depois acontecem mesmo e tudo o que parecia verdade afinal é mentira e ainda por cima tem um grande twist no final”. O filme que até está muito bem dirigido, tem boas actuações (Morgan Freeman está sempre bem) e que tem um design espectacular, preenche todos os requisitos para ser totalmente esquecido só porque insiste em colar-se aos clichés do blockbuster. O pior de tudo é o twist final, que por natureza é algo que supostamente não se está à espera que aconteça, mas que a meio do filme já é totalmente previsível. Oblivion podia ser um filme muito melhor se não fizesse tantas concessões. O desenrolar da história – que podia ser boa – acaba por diminuir o filme. É pena, porque o filme tem muitos e bons pormenores. ●●○○○
Outro filme de ficção com extraterrestes é Edge of Tomorrow (2014). A Terra foi invadida por extraterrestres e está em guerra. A história centra-se no major William Cage (Tom Cruise) que aparentemente fica preso no tempo, condenado a voltar ao dia anterior a uma batalha em que morre sempre. No entanto, cada vez que morre, volta ao ponto inicial e acaba por ir melhorando as suas capacidades de guerra.
Este filme é a prova que se Hollywood quer fazer algo de novo, tem de procurar inspiração fora de Hollywood. Neste caso, a inspiração vem da prolífica (e aparentemente infindável) imaginação dos criadores de manga. É a história e o seu desenrolar que tornam este filme melhor que Oblivion. Não é espectacular, mas gostei muito – o que é raro hoje em dia – simplesmente porque o filme é perfeitamente equilibrado. E acima de tudo porque é uma lufada de ar fresco. A história que por natureza é repetitiva e confusa, não cansa e é bastante fluída e rápida; o tom está preso entre momentos sérios e engraçados (o que é bastante difícil de fazer); os efeitos especiais não se apoderam do filme (cumprem a sua função, que é ajudar o argumento); os actores (Emily Blunt e Bill Paxton) estão muito bem e não parecem “acessórios” da grande estrela de cartaz; é um blockbuster mas tem alguma densidade. Edge of Tomorrow mostra que é possível fazer grandes produções sem que pareçam todas saídas do mesmo molde. Muitos produtores e estúdios de Hollywood, antes de gastarem os próximos de milhões de dólares num filme de acção vazio, deviam seguir a tagline deste filme: ver o filme; recomeçar; ver o filme; várias vezes. ●●●○○
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