Se alguém se sentir tão fascinado com explosões nucleares como eu, há um documentário obrigatório para ver: Trinity and Beyond (1995). É simplesmente arrebatador. Não só pelas imagens das detonações nucleares, mas também pelo inteligente guião narrado por William Shatner. É um daqueles filmes que nos põe quietinhos, mudos, impotentes, de boca aberta, a olhar para uma televisão. Parece que estamos a ver ficção e efeitos especiais, mas é a mais pura das realidades. Ver este documentário deixa uma pessoa a pensar: como é que chegamos a este ponto, em que conseguimos destruir-nos totalmente e ao planeta? Como é possível isto acontecer? Como é possível libertar tanta enegria de elementos tão pequenos como átomos? E agora que estas armas são uma realidade como é que vamos viver com isto? Será esta a derradeira Caixa de Pandora?
Peter Kuran, um homem dos bastidores (participou na área dos efeitos especiais em muitos, muitos, muitos blockbusters de referência) vira-se para a mesa de montagem e faz um trabalho excepcional. Conseguir criar uma narrativa logica e coerente, recorrendo quase exclusivamente a imagens de arquivo não é fácil. Eu só consigo imaginar a quantidade de pesquisa necessária para fazer um documentário destes.
Trinity mostra-nos a história e todo o desenvolvimento das bombas atómicas, desde os primeiros testes americanos até às detonações dos novos “países nucleares”. Kuran optou – e bem -, por manter um tom político neutro, o que só eleva ainda mais o filme, deixando esse tipo de considerações do outro lado do ecrã. Kuran também conseguiu reunir as melhores explosões que já vi (e algumas novas), na melhor qualidade possível, o que torna o documentário visualmente assombroso. O acompanhamento sonoro e musical é excelente e ainda aprofunda mais o efeito devastador que estas imagens por si só possuem. Se me perguntassem quais os pontos negativos deste filme, eu só poderia responder: nenhum. Não há nada de mal a apontar. Está excepcionalmente bem feito. Um filme obrigatório. ●●●●○