Os elementos clássicos foram associados aos conceitos de terra, água, ar e fogo, para tentar explicar a imensa complexidade da natureza. A dedução parece lógica quando associada aos estados físicos da matéria: a terra para o sólido, a água para o líquido, o ar para o gasoso e o fogo para o volátil visível. Mas para além destes elementos sempre houve uma quase necessidade de um “quinto elemento”, uma “quinta-essência” que seria um elemento “perfeito”, estando ao nível do plano não-terrestre. Em tempo idos era normalmente associado ao éter, mas na realidade poderia ser qualquer coisa intangível mas extremamente poderoso.
Luc Besson pegou nestes conceitos e desenvolveu uma história simples mas extremamente coesa. No século XXIII, todo o universo vê-se confrontado com o Mal em estado puro. Para se defender desta força esmagadora, a Humanidade depende do Quinto Elemento, que de 500 em 500 anos aparece na Terra como protector dos restantes quatro elementos. Mas depois também há um taxista irascível chamado Korben Dallas…
Sendo um filme de ficção cientifica de acção, The Fifth Element não entra em grandes questões filosóficas. Quando Leeloo (Milla Jovovich), o “ser perfeito”, cai literalmente do céu para o banco de trás deste taxista de muito mau humor (Bruce Willis), o universo vai ficar totalmente de cabeça para baixo…
O futuro apresentado aqui por Luc Besson não tem propriamente uma história muito original… mas isso também não interessa muito, porque virtualmente todas as cenas de The Fifth Element são muito boas. Logo para começar o look do filme e todo o design de produção, com um aspecto meio colorido, meio kitsch, é diferente de toda a restante da temática da ficção cientifica, que invariavelmente descamba no escuro e frio lado tecnológico da coisa… Depois as fatiotas estranhas mas muitos fixes de Jean-Paul Gaultier completam perfeitamente os sets extravagantes. As personagens são todas memoráveis mas há duas que se destacam: Zorg (Gary Oldman) como uma mistura de ditador maléfico e dandy ultra-capitalista e Ruby Rhod (Chris Tucker), uma espécie de celebridade entertainer futurista tão hilariante como irritante. Os actores estão tão à vontade na pele das suas personagens que numa das cenas até é capaz de se notar o Bruce Willis a tentar não se desmanchar a rir com a performance over the top de Chris Tucker.
The Fifth Element está repleto de bons pormenores. Desde os actores (Ian Holm, Luke Perry, Brion James), à realização cristalina de Luc Besson, passando pelo inteiro design de produção colorido, pela montagem rápida que dá um ritmo excelente ao filme até aos excelentes efeitos especiais que não se sobrepõe um guião consistente e tão coeso que parece à prova de bala. Há coisas que eu vejo e percebo logo que um filme é diferente (para melhor) do que é habitual. Apesar de ser um filme “comercial de efeitos e acção”, por exemplo, aquela coisa já banal e quase obrigatória de haver um confronto final entre o “bom” e o “mau” aqui não acontece. Aliás, os dois antagonistas apenas se cruzam (literalmente) um única vez e por breves segundos.
Nota-se perfeitamente que Luc Besson queria fazer algo diferente. E isso até se nota no facto de nunca ter caído na tentação (e no erro) de fazer um sequela. Este é um projecto único e pessoal e isso transpira originalidade e alma. É puramente criativo e é diferente de quase tudo o que já vi nesta temática. E por isso mesmo é um dos meus filmes favoritos. Acho que é uma opinião partilhada por muito mais gente… Altamente recomendado. ●●●