Vi um documentário muito bom na RTP1 sobre o fenómeno cultural que foi (e ainda é) o evento musical de Woodstock. De seu nome completo, Woodstock Music & Art Fair, foi um festival de música (e outros eventos culturais e artísticos) que se realizou na propriedade de Max Yasgur, na cidade de Bethel, no estado de Nova York, entre os dias 15 e 18 de Agosto de 1969. Na realidade, o festival deveria ter acontecido em Wallkill, mas como os moradores locais não aceitaram receber uma quantidade enorme de hippies, o evento foi transferido para a pequena localidade Bethel, a uma hora e meia de distância e a 70 quilômetros da cidade de Woodstock. O festival de música e artes surgiu como uma ideia de Michael Lang, John P. Roberts, Joel Rosenman e Artie Kornfeld, que queriam reproduzir o êxito de outros festivais que tinham frequentado em tempos recentes, com as melhores bandas do momento. Mesmo antes do evento começar foram vendidos 185.000 bilhetes sendo que a organização esperava um público total a rondar as 200.000 pessoas. Contra todas as expectactivas, apareceram mais de meio milhão de pessoas para assistir ao festival, o que obrigou em último caso a que se tornasse num evento gratuito, pois não havia forma de controlar as entradas nem de conter tanta gente num recinto.
Tinha a noção de terem actuado lá as melhores bandas daquele momento, o que na realidade não é verdade. Nomes como Ravi Shankar, Joan Baez, Santana, Grateful Dead, Creedence Clearwater Revival, Janis Joplin, The Who, Jefferson Airplane, Joe Cocker e Jimi Hendrix fizeram parte do evento, juntamente com muitos outros nomes da altura. Não sendo um nativo daqueles tempos não tenho a noção da grandeza dos performers nem conheço grande parte deles, tirando os anteriores. Curiosamente, conheço bastante melhor os que ficaram de fora e não actuaram pelas mais diversas razões. Basta pensar que não tocaram em Woodstock bandas como os Rolling Stones, Frank Zappa, Simon & Garfunkel, Bob Dylan, The Byrds, Jethro Tull, Led Zeppelin, The Doors ou The Beatles.
Apesar de ser um documentário para TV, o valor e a profundidade histórica da produção é muito bom. Fiquei a conhecer por dentro um ponto cultural da música moderna, mas também da Humanidade. Dito assim pode parecer um exagero, mas vendo o documentário percebe-se perfeitamente o comentário. Em Agosto de 1969, a América vive em reboliço com a guerra do Vietname em plano de fundo e muitas mudanças sociais, sexuais e de direitos humanos a acontecerem ao mesmo tempo. E este foi um momento chave de afirmação e confronto, a favor e contra todos estes acontecimentos profundos que abalaram a sociedade americana, e tem que se admitir, por contágio, todo o restante mundo ocidental e em especial, a Europa. Não é por nada que o “evento” parece perdurar geração após geração e de alguma forma é absorvido por pessoas que nem sequer eram nascidas quando aconteceu, como é o meu caso.
A produção é enorme e o valor histórico pela recolha de testemunhos e imagens da época é inestimável. Woodstock foi muito bem escrito (por Barak Goodman e Don Kleszy) e muito bem realizado também por Goodman. Uma grande vénia também para o pessoal da produção, pesquisa de material e montagem porque merecem: fizeram uma trabalho excepcional. Um excelente documentário de visualização obrigatória. Totalmente recomendado. ●●●●○

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