No futuro, em 2197, o mundo é ostensivamente militar e implicitamente totalitarista. Toda a gente quer ser um “cidadão”, mas para isso é preciso passar pelo rigor militar. É uma má altura para isso, pois a humanidade está prestes a entrar em guerra aberta contra um planeta de insectos alienígenas. Eis Starship Troopers.
Quando penso em exagero, um dos primeiros gajos que me vem à cabeça é o Paul Verhoeven. Já vi coisas muito maradas em termos de violência gráfica e gore, mas de alguma forma os filmes de Verhoeven têm qualquer coisa de visceral que me leva sempre a pensar no exagero dos exageros. Acho que é por causa do tom satírico aliado a carradas de sangue, mas sinceramente não sei.
Starship Troopers é um filme que gosto bastante, por muitas razões. Gosto do uso quase subliminar da imagética nazi do lado dos “bons”. Gosto de como ele cola rótulos de fascista a montes de instituições sem nunca as apontar. Gosto da achega à comunicação social alarmante e às notícias da net, com aquele “Queres saber mais?”. Gosto daquela aproximação “toda sorrisos”, tipo Beverly Hills 90210 no espaço militar – se isto não é sátira, não sei o que será. Gosto da forma, como que em tom de brincadeira, Verhoeven sublinha os piores aspectos dos “bons” actuais recorrendo a cenas do futuro. Gosto muito deste filme. Casper Van Dien, Dina Meyer, Denise Richards, Neil Patrick Harris, Michael Ironside estão todos perfeitos nos seus estereótipos profundamente marcados.
Starship Troopers, como tantos outros filmes, apesar de à primeira vista ser uma patetice total – nem tem sequer nenhuma base científica lógica em que se possa pegar -, tem algo que me atrai quase magneticamente. Se estiver a repor em algum canal eu não lhe consigo resistir. Paul Verhoeven deve ter feito alguma coisa muito bem… Sei que fizeram mais uma sequelas, mas não quis estragar as minhas memórias, por isso nunca as vi. E acho que nunca vou ver... ●●●○○