…estava eu a vegetar em frente a televisão e a fazer zlooping (i.e. zapping em loop [já que nunca dá nada de jeito na televisão…]) e acabei por parar no National Geographic. Estava a dar um documentário sobre alpinismo. Deixei-me ficar por ali. A razão é simples: gosto de montanhas e gosto de trepar pelas suas encostas até chegar ao cimo e ver o mundo de cima para baixo. Há algo de primordial nestas subidas que não consigo contrariar. Não é a primeira vez que trepo pela montanha acima e o único intuito é chegar lá bem ao topo e ver a paisagem de outra perspectiva. Sendo um moço da cidade, não sei explicar muito bem porque é que isto acontece, até porque tenho vertigens, mas acontece. Claro que não subo ao Everest e não faço alpinismo profissional (nem sequer percebo muito do assunto), mas se tivesse a oportunidade de o fazer é bem provável que o fizesse. Daí que sempre que apanhe coisas na TV sobre alpinismo não resisto a ver. Percebi então que estava a ver um documentário chamado Free Solo e era sobre a façanha do alpinista Alex Honnold, em tentar escalar o “El Capitan“… sem o auxílio de cordas. Só com as “unhas”… Mesmo não sendo um expert, sei que o “El capitan” é uma das mais difíceis escaladas do mundo. É um muro granítico de 900 metros de altura, praticamente na vertical. Já o vi noutros documentários. Mesmo com o auxílio de cordas é um feito escalar essa montanha. Alex ia tentar escalá-lo “à mão”.
Mesmo sabendo que ia ver uma coisa que me ia dar ataques de ansiedade “verticais” não consegui resistir. Tinha de ver. E ainda bem que o fiz. Este documentário realizado por Elizabeth Vasarhelyi e Jimmy Chin é de cortar a respiração!!! Passei metade do tempo absolutamente calado e com o corpo encolhido, em stress, tenso que nem uma rocha. Acho que se tivesse que tirar sangue para análises, é bem provável que a agulha não entrasse…
Free Solo é uma grande cena radical que merece ser vista e revista. Nota-se que foi dificílimo de fazer e por isso dou todo o mérito para os realizadores porque também foi dificílimo de filmar. Totalmente brigatório. ●●●●○
E já agora os meus sinceros parabéns para o “maluco” do Alex. É um verdadeiro meta-humano. Um super-herói de carne e osso. O que o gajo fez é simplesmente único. De uma coragem extrema, totalmente “chalado do tutano”, mas absolutamente sublime. É a prova de que somos algo mais do que está à vista. Só vendo para acreditar…