The Curious Case of Benjamin Button (ideia original do escritor F. Scott Fitzgerald) é mais uma peça de relojoaria meticulosamente montada por David Fincher. O que não torna o filme necessariamente muito bom. A história é-me estranha e o filme parece-me excessivamente longo, sendo que por vezes perde-se um pouco porque fica “pendurado no tempo”. No essencial, é a história completa da vida de uma pessoa relativamente comum, mas com o twist da questão de nascer velho e morrer novo. Na realidade, não é assim tão twist, porque vistas as coisas, quando uma pessoa começa a envelhecer, a degradar-se e perder autonomia, acaba por ficar muito parecido com os primeiros anos de vida. É a realidade. É a vida. Mas o pior para mim, é que aqui no filme, a questão da velhice/novice acaba por ser, de certa forma, irrelevante. Se a personagem fosse “temporalmente normal” a história seria exactamente a mesma. Cate Blanchett, Brad Pitt e Elias Koteas são os que se destacam mais obviamente no elenco (grande ênfase, como sempre na Cate Blanchett). Mas uma das coisas que nunca consegui ultrapassar neste filme foi o ar desconsolado e deslavado do Brad Pitt. Para quem assistiu ao nascimento deste “bad boy” do cinema e vê-lo aqui, assim, com carinha de parvo é de parar o coração… Uma pena. Apesar disto tudo, é um filme que se vê bem e que está muito bem construído, como sempre, pelo génio do Fincher. ●●●○○