Quando chegou a Portugal, a novidade fez com que eu fosse um ávido consumidor de McDonald’s como o resto da população mundial. Mas depois comecei a ter alguns problemas: em primeiro lugar os hambúrgueres começaram a deixar-me mal-disposto. Esta parte não é brincadeira. Arrotava e ficava com dores de barriga. Havia ali qualquer coisa que não me caía bem. Depois comecei a reparar nas fotografias espectacularmente bem apresentadas versus a realidade do hambúrguer que vinha na caixa e que nunca correspondia. A seguir percebi que há alguns problemas preocupantes que atingem a sociedade quando uma empresa tem um nível de faturação maior que o PIB de alguns países. Depois, li o IT do Steven King e apercebi-me o que havia de estranho no palhaço da McDonald’s: o Ronald McDonald era o palhaço assustador com que o palhaço do IT tinha pesadelos!!! Isso é muito estranho, visto que palhaço está lá para as crianças. Nunca percebi como é que as criancinhas não fugiam dali aos gritos… E para terminar o McDonald’s desalojou e acabou com o meu café favorito em toda a cidade. E então decidi por um ponto final nesta minha curta relação com o fast food.
Mal eu sabia que um dia estaria a ver um filme como The Founder. Uma história de persistência, tenacidade, mas também de traição, engano e mentira. Basicamente o American Dream, mas tal como é visto hoje em dia… É um ataque cerrado ao início da McDonald’s e ao seu fundador Ray Croc. Diga-se de passagem que Ray Croc parece um nome saído de um filme de mafiosos… Adiante…
O que surpreendeu pela positiva em The Founder foi o estar muito bem realizado por John Lee Hancock e muito bem escrito por Robert Siegel. Nota-se que isto é pessoal que tinha uma missão em mente. E não é fácil “atacar” aquilo que a maioria das pessoas adora. Grande destaque também para o Michael Keaton que apesar de não se esforçar muito na criação da personagem, consegue igualmente que uma pessoa o admire e o deteste ao mesmo tempo. Nick Offerman, John Carroll Lynch, Laura Dern, entre muitos outros bons actores também por lá passam.
Deixei de entrar no McDonald’s na longínqua década de 90 porque me tirou o meu café preferido que era também o meu ponto de encontro com os meus amigos. E sempre achei que havia algo na empresa que não batia certo. Agora confirmei o que era… Cheirava a… traição. Decididamente a ver. ●●●○○