Se há gajo que raramente falha é o Steven Soderbergh. Até num filme menor, como é o caso deste Side Effects. Não vale a pena dourar a pílula: o filme é fracote. Tendo em conta que é um “Soderbergh”. Não fossem os actores serem mesmo bons (Rooney Mara, Catherine Zeta-Jones, Channing Tatum, Jude Law), diria que é quase um telefilme. Aliás, em partes da história, pareceu-me quase que estava a ver um episódio da mítica série Alfred Hitchcock Presents.
É o principal problema do filme: a história é confusa e tem demasiados “side effects”. O que começa por ser uma história de psicólogo estável /paciente deprimida, rapidamente se torna numa paranóia com medicamentos experimentais e depois passa a drama pessoal/familiar com contornos escondidos… é um bocadinho confuso, mas mais do que isso é incoerente.
Mas o que me ficou mais visível aqui, é a facilidade que o Soderbergh tem em realizar um filme. Até é irritante. Dá a impressão que fez isto num fim-de-semana em que estava aborrecido e sem nada para fazer, lembrou-se: “vou fazer um filmito para me entreter; e vou escrevendo-o à medida que o vou filmando… Depois vê-se no que isto dá…” E, se calhar, até foi mesmo assim que aconteceu… Apesar de todas as falhas, é melhor que muita coisa que tenho visto. ●●○○○