Quando li que o Alex Proyas ia fazer um filme sobre os deuses e mitologia egípcia fiquei curioso e empolgado. É óbvio o potencial cinematográfico da mitologia e dos antigos deuses como equivalência aos super-heróis modernos/mutantes. E para quem não tem “acesso” ao universo infindável da Marvel ou DC Comics, as mitologias são uma excelente base, com muita continuidade.
Mas como hoje em dia os realizadores e os estúdios não resistem à facilidade de “dourar a pílula” com os efeitos especiais em detrimento de tudo o resto, fico sempre apreensivo… e com medo.
E foi exactamente isso que aconteceu com Gods of Egypt. E ainda por cima com o Proyas na cadeira de realizador, um gajo que tenho em alta consideração desde o tempo dos excelentes The Crow e Dark City. Infelizmente, também tem vindo a descambar, filme após filme, e a sucumbir à febre dos efeitos digitais. Mais uma vez, um filme que até tinha imenso potencial de personagens e história, fica reduzido a colagens sucessivas de acção, explosões e efeitos digitais de fogo-de-artifício… É pena não ter mesmo mais nada. Falha até na coisa mais básica de todas que é ter uma história em que os deuses “imortais” morrem como tordos, de todas as maneiras e feitios. Se calhar até morrem mais facilmente que os próprios humanos… “mortais”. Não entendo. Mas esta gente não vê a Guerra dos Tronos?
Bem, até devem ter visto porque está lá o Jamie Lannister (Nikolaj Coster-Waldau), mas devem ter passado à frente toda a parte da história que não tem lutas, monstros ou efeitos… Nem sequer a presença de bons actores como Gerard Butler, Geoffrey Rush ou Rufus Sewell salvam este filme. Aliás, parece até que estão um pouco constrangidos. Entendo-os perfeitamente.
Fico com muita pena quando vejo os “meus” realizadores de eleição reduzidos a meros tarefeiros dos estúdios e a funcionarem como comerciais de efeitos especiais e vendedores de pipocas… Desilusão total. ○○○○○