O detective Frank Bullit tem uma missão simples para cumprir: proteger uma testemunha importante e levá-la em segurança até ao julgamento. Mas pouco depois de assumir a missão, a sua testemunha está morta, não deixando mais nada para Bullit fazer a não ser descobrir e perseguir os responsáveis.
A história é bem mais complexa que estas três linhas, mas já tanto foi escrito sobre Bullit que não vale a pena alongar-me mais.
Bullit é um thriller de acção que faz parte da própria história do cinema. E é assim por várias razões. Não é por ser um filme de acção explosivo; visto pela primeira vez nos dias de hoje é provavelmente considerado como um filme parado. Também não é por ser um thriller que nos deixa constantemente na expectativa do que vai acontecer a seguir, ou porque é muito realista e mostra com exactidão todos os procedimentos clínicos ou processuais da polícia; hoje em dia isso é levado à exaustão. É uma peça histórica pela novidade (na altura da estreia – 1968), pela qualidade séria da realização de Peter Yates, pela música tensa de Lalo Schifrin, pela montagem frenética da acção (levou um Óscar), mas também pela “fibra” diferente dos actores: Robert Vaughn, Jacqueline Bisset, Robert Duvall fazem parte de outro nível. Mas o destaque óbvio vai para um dos monstros sagrados do cinema: Steve McQueen, um dos meus actores preferidos de todos os tempos, que provavelmente, é mesmo o melhor de todos. Não porque fosse melhor actor que os outros, mas pela força de presença no ecrã. É difícil de explicar, mas também é difícil de deixar de olhar. Steve McQueen não precisa de diálogos, basta aparecer, olhar para câmara e deixar transparecer carisma. Há ali qualquer coisa de inexplicável. Há ali qualquer coisa de… Steve McQueen. Não é por nada que lhe chamavam Mr. Cool. Steve McQueen, parece ele próprio, uma personagem cool de um qualquer grande filme. Em parte, ele é ambíguo como a própria personagem: há os maus polícias e os bons polícias, mas depois há Bullit
E depois há aquela épica perseguição de carro pelas ruas de São Francisco. É tão excelente e tão icónica que passou para a cultura geral. Toda a gente a conhece, mesmo que nunca tenha visto o filme. Já foi copiada tantas e tantas vezes, mas nunca igualada.
Bullit não é um filme só para ver; é um filme para guardar e depois ver outra vez. ●●●●●