Quando se tem tudo, o que é que se pode querer mais? Mais que tudo. Pode-se ver o filme nesta perspectiva, mas essencialmente Ex Machina conta a história de um jovem programador que ganha uma viagem de sonho quando vence um concurso na empresa tecnológica onde trabalha. Ele irá encontrar-se com o CEO/génio eremita da empresa e participar numa experiência revolucionária: avaliar as capacidades (supostamente) humanas de um robot humanóide com Inteligência Artificial.
Ex Machina, apesar de ser mais um filme sobre AI, é positivamente um bom filme. Nota-se que Alex Garland realizou o filme com todas as influências absorvidas do tempo em colaborou com Danny Boyle, mas principalmente muita influência de Kubrick. Aliás, em determinados momentos, fiquei nitidamente com a ideia que se o Kubrick tivesse feito um filme sobre AI (e parece que esteve quase a fazê-lo) seria, quase de certeza, muito parecido com este Ex Machina. Pelo menos no aspecto estético, acho que saíria semelhante. Mas isso são conjecturas minhas…
O estreante realizador Alex Garland é um nome a estar atento. Apesar do ritmo por vezes descer demasiado, deu muito boas indicações neste thriller de ficção científica. A paranóia e a dúvida latente sobre quem afinal é humano e quem não é, e pequenos pormenores como a frieza e não-emoção numa cena com facas é simplesmente muito bom. Os actores são poucos (Domhnall Gleeson, Oscar Isaac e Alicia Vikander) mas muito bons e com muita intensidade. Uma lufada de ar fresco no género. Sem dúvida, para ver. ●●●○○