Exodus: Gods ans Kings é um filme sobre o qual não quero falar muito, porque foi uma desilusão muito grande. Como sou um fã do Ridley Scott, tinha algumas expectactivas e o espantoso é que conseguiram sair todas furadas. Apesar de ser um grande espectáculo visual, não gostei nada do filme. E, precisamente, por isso mesmo: é apenas e só, mais um enorme espectáculo visual sem nada que o suporte. É caso para dizer: até tu, Ridley Scott? Temo que o Scott já não recupere mais. É que já desde Black Hawk Down que não vejo nada melhor que mediano… Mas vou continuar à espera.
Há duas coisas muito negativas neste filme. Primeiro, tem um conjunto de actores bastante respeitável (Christian Bale, John Turturro, Sigourney Weaver, Ben Kingsley), todos com provas dadas, mas pareceu-me que estavam no filme exactamente por terem “nomes de cartaz”…
Mas o pior de tudo é a história. Ou melhor, a forma como pegaram na história. Posso parecer algo “quadrado” a dizer isto, mas não gosto mesmo nada que peguem na melhor história do mundo e façam adaptações livres. Pior ainda, é refazer uma história destas, dar-lhe uma perspectiva contemporânea e deixar de fora as partes que não podem ser cientificamente explicadas. (Podia ser pior: podiam considerar essas partes “desconfortáveis” como milagres… científicos.) Para mim isso é ridículo. Chamem-me “velhadas”, conservador, ou outra coisa, mas não percebo porque é que se pega numa história bíblica tão importante e depois se ignora completamente essa ligação. Isto para não falar do “elemento estranho” no argumento, que é o facto dos dois opositores chegarem a ser inimigos mortais, mas que por qualquer motivo estão sempre a encontrar-se para uma conversa amena, antes que um deles desapareça na escuridão da noite. Mas são muito inimigos… Pior que tudo isto é Moisés e o Faraó levarem com um tsunami (?!) na cabeça (tinha de ser um fenómeno cientificamente reconhecível) e sobreviverem. Sim, a célebre cena do Mar Vermelho, afinal foi um vulgar tsunami
Como já começa a ser regra hoje em dia, só se safam os efeitos digitais, eles sim, verdadeiramente épicos, mas aí os méritos vão para os geeks que estão meses “agarrados às maquinas” a comporem o espectáculo.
Para mim, Exodus: Gods ans Kings não valeu nada. Fica a pergunta no ar: é este o homem do Blade Runner? Do Alien? ●○○○○