The Quick and the Dead é um western que vai buscar o título a uma frase bíblica que resume o facto de todos nós, mais cedo ou mais tarde, sermos julgados pelos nossos pecados, quer estejamos vivos (the quick) ou mortos (the dead). É bastante apropriado, visto que toda a história gira duma sádica competição tipo torneio, mas envolvendo um duelo de armas até à morte, mano a mano. Mais western que isto não pode ser… O título é algo dúbio já que também se aplica à rapidez do dedo no gatilho. Nos westerns e em particular nos duelos, a rapidez a sacar e disparar é o que separa basicamente os vivos dos mortos… Mas as referências bíblicas estão lá todas, como por exemplo a personagem de Gene Hackman se chamar Herod ou Russel Crowe interpretar um padre, arrependido, depois de anos como bandido.
À primeira vista, até pode parecer, mas o filme não tem grande história. Por vezes até se torna repetitivo e copia (ou inspira-se?) mais noutros westerns do que arranja material original. É um filme com mais estilo do que substância. Mas ainda assim tem duas coisas muito boas: a parada de estrelas e a realização.
Em relação a actores é só ver a lista: Sharon Stone (que fica bem em qualquer situação ou papel), Gene Hackman (um “senhor” do cinema que não precisa de apresentações), Russell Crowe (um actor razoável, inflacionado por “filmes de óscares” mas que aqui até escapa), Leonardo DiCaprio (tão novinho que ainda era a perdição das teenagers-coleccionadoras-de-posters-da-Bravo) e Lance Henriksen (um gajo cheio de estilo seja em que filme for).
Mas o que mais salta à vista em The Quick and the Dead é a realização de Sam Raimi. Por vezes não se percebe muito bem porque é que alguns realizadores se destacam e outros não. Sam Raimi é um caso particular e de estudo. Ele conseguiu criar uma estética, mas acima de tudo, uma linguagem visual própria e original que aparentemente funciona em qualquer género de filme. Criou essa linguagem para o excelente Evil Dead e foi um sucesso. Mais tarde aplicou a mesma receita com super-heróis (ainda que com um lado bastante negro) em Darkman. (percebe-se como Raimi aparece anos mais trade a dirigir a saga Spider-Man). Mas essa lógica visual continua a funcionar até num western verdadeiramente à moda antiga. E funciona sempre muito bem. É um tipo de realização tão particular que mesmo quem não saiba quem é o realizador consegue facilmente identificá-lo graças à estética. Acho isso incrível. 
The Quick and the Dead não é nada de espectacular ou muito memorável, mas entretém sem ser totalmente desmiolado. Vê-se bem. Para quem é um fã do Sam Raimi ainda se vê melhor. ●●○○○