Roland Emmerich volta à carga e vira-se para as alterações climáticas como argumento para rebentar com uma cidade qualquer. Como tem sido hábito neste realizador, o filme vale pelo aspecto técnico e pelo efeitos especiais espectaculares. É uma oportunidade única para ver Nova York, Los Angeles e outras cidades a serem fustigadas por furacões gigantes, cobertas por nevões catastróficos ou varridas por tsunamis de dimensões épicas.
Acho que Emmerich já começa a esgotar os argumentos para filmar destruições à escala planetária. Por isso, não percebo como é que ainda não se virou para as aquelas imensas produções bíblicas dos anos 50. Se ele for um leitor atento deste blog, fica dada a dica.
Como tem sido hábito também, o filme é totalmente vazio de enredo, mas pelo menos tem uma boa mensagem de fundo: se continuarmos a desrespeitar e a agredir o planeta como temos feito até agora, eventualmente ele irá virar-se contra nós.
The Day After Tomorrow (2004) parece um daqueles documentários do Discovery sobre alterações climáticas, mas sobre o efeito de doses maciças de esteróides. A ciência está totalmente errada, mas o que é que isso interessa? Aqui, tudo tem de ser rápido, explosivo e mais nada. Ninguém vai ver o filme para ter melhores noções de ecologia, ou como funciona o clima, pois não? Para isso, há livros e documentários muito bons…
Tirando os efeitos especiais, sobra a história duma família apanhada no meio duma tempestade global, mas infelizmente é uma história sem nexo nenhum. O pai (Dennis Quaid) é um cientista climatológico que alerta para os perigos dos desequilibrios ecológicos, mas em que ninguém acredita. O filho (Jake Gyllenhaal) é um “crâneo” mais inteligente que os próprios professores. A mãe é medica e aparentemente só tem um paciente, um miúdo que passa a toda a tempestade do século confortavelmente a ler. Como estão todos separados em cidades diferentes, o pai lança-se a caminho para salvar o filho que entretanto ficou retido numa biblioteca em Nova York. Quaid enfrenta heroicamente a brutal tempestade para salvar o filho e chegado lá… faz o quê? Pois. Não faz nada. Só vai ter com ele. Miraculosamente, mal se encontram, a tempestade dissipa-se. Calhou bem, senão ficavam todos retidos na biblioteca… à espera da mãe. Esta, por sua vez, aguenta-se sozinha no hospital, e a única coisa que quer é uma ambulância para o miúdo que lê sem parar… e, como este é um filme com final feliz, ela lá chega mesmo no final. Devia ser uma daquelas ambulâncias-limpa-neves… O resto, é uma colagem de clichês, que provavelmente são mais antigos que a última idade do gelo: a bandeira desfraldada ao vento, o amigo que se sacrifica pelos outros, o mea culpa no final para admitir que sim, agora o governo vai prestar atenção a estas coisas do clima, este tipo de coisas simpáticas e que ficam sempre bem.
The Day After Tomorow é um filme sem grandes pretensões: é uma chiclete de 2 horas com efeitos especiais caríssimos, feito para vender bilhetes e pipocas. Cumpre bem o seu propósito. ●○○○○

Leave a Reply