Será que alguém consegue imaginar este mundo sem Cinema? O Cinema é sem dúvida uma das minhas grandes paixões. Se calhar por causa disso, acabei por me “profissionalizar” em demasia, o que acaba sempre por ser mau. Mas agora já não há volta a dar. Como queria saber mais sobre cinema, comecei a apreciar todos os aspectos técnicos. O uso da luz como suporte para a história, as técnicas e estilos de montagem, a produção visual, os efeitos visuais e especiais, tudo isso. Agora vejo os filmes de uma forma diferente. É uma visão mais técnica e menos apreciativa como acontecia há uns anos atrás. Mas isso também me permite avaliar melhor. Agora não vejo “só” o filme. Além da parte técnica, vejo também os significados pouco visíveis, a iconografia, as entrelinhas. Vejo como os autores, produtores e realizadores vêm o mundo, como o mundo aparece representado no cinema e como o cinema se vê a si próprio. Quando vejo “Le Voyage Dans la Lune“, na realidade eu vejo como George Méliès via o mundo e como ele imaginava que poderia ser novo e diferente. Vejo, por exemplo, comparando com os dias de hoje, como era fácil há 100 anos, fazer parecer verosímil uma história fantástica. Num contexto diferente e mais geral, é-me possível ver como evoluímos mentalmente como espécie, pesando todas estas observações. E consigo imaginar como terão sido as reações do público ao filme, se pensar que décadas mais tarde, as pessoas saiam em braços, desmaiadas, por ver na tela o monstro de Frankenstein. Se com Lumière começa o registo cinematográfico documental, com George Méliès começa verdadeiramente o cinema. “A Viagem à Lua” de 1902, foi uma revolução, não só por ter uns estonteantes 10 minutos (!) de duração (as projecções dessa altura duravam 3 ou 4 minutos), mas também por ter uma narrativa continuada e efeitos especiais!! E uma nave especial capaz de chegar à Lua! E extraterrestres que se destroem com um toque de guarda-chuva! E uma viagem ao fundo do mar na viagem de regresso! A Viagem à Lua é um feito extraordinário da visão de um homem, se pensarmos que Méliès escreveu, realizou, produziu, e também foi responsável pela fotografia, guarda-roupa e efeitos especiais! Com este filme, George Méliès conseguiu mudar o Mundo para sempre. Como mágico que era, também conseguiu perceber que o cinema era o suporte ideal para as maiores e mais elaboradas ilusões de todos os tempos. Por isto tudo, dois grandes polegares para cima para o George!