Durante os anos 80 proliferou um estilo de filmes que entretanto morreu: o fantástico. Nessa categoria muito própria, há um realizador que se destaca entre todos: Terry Gilliam. Ninguém consegue captar o tom fantástico, o surreal e o absurdo como Gilliam. Obviamente que ter no currículo a passagem pelos míticos Monty Python ajuda e muito. Não é de estranhar, portanto, que The Adventures of Baron Munchausen (1988) pareça mais um filme Python que um filme “Gilliam”.
A história gira em volta da figura mítica do Barão Munchausen e das suas impossíveis aventuras. Seja na Lua, debaixo do mar, dentro de um peixe gigante, a lutar sozinho contra um exército de turcos, ou até contra a própria Morte, o Barão tudo suplanta graças à mais poderosa de todas as armas: a fantasia. Como por exemplo, puxar os próprios cabelos para não se deixar afundar no mar. Para além da loucura total, os elementos principais continuam a ser os mesmos de toda a filmografia de Gilliam: o embate da fantasia contra a burocracia e a papelada, a força da imaginação contra a força do músculo e a luta desigual contra algo muito maior que o próprio protagonista (neste caso, a Morte).
Gosto do filme porque me envolve em nostalgia. Foi um filme que vi na altura de estreia e sonhei com o filme durante meses. Tudo aquilo era tão estranho, tão surreal e tão absurdo que quase dava vontade que existisse mesmo para poder mergulhar naquele mundo extravagante juntamente com o Barão. Há pouco tempo, quando o revi, a única coisa que me passava pela cabeça, é que as aventuras do barão pareciam uma mistura híbrida de “O Principezinho” e das “Viagens de Gulliver” sobre o efeito de psicotrópicos. Pensando melhor, deve ser mesmo assim que funciona o cérebro de Gilliam.
Visualmente, é simplesmente fantástico. Os efeitos eram (e ainda são) muito bons, espectaculares e cómicos. As piadas são as típicas piadas Monty Phyton. Ou se amam ou se odeiam. Como sempre, Gilliam consegue rodear-se de grande actores como John Neville, Oliver Reed e Jonathan Pryce, já para não falar da constante presença de Phyton’s como Eric Idle, ou nomes estranhos ao tema como Sting. Robin Williams aparece no filme como Rei da Lua, mas por qualquer motivo estranho aparece creditado como Ray D. Tutto. Quando se misturam personalidades como estes dois, acho que se pode dizer: “é típico“. Uma Thurman, lindíssima como sempre, faz aqui umas das primeiras aparições… como musa. Parece que estava destinada.
A única coisa que posso apontar de negativo a este filme é que ficou preso entre dois mundos: nem é um filme de fantasia para adultos nem para crianças. Lá está: é um filme fantástico de Terry Gilliam. Apesar de não ser nenhuma obra prima, só isso basta.
Se é que isso é possível, The Adventures of Baron Munchausen, é muito mais “chalado” que todos os outros filmes “chalados” de Gilliam. Acho que essa é a palavra perfeita para classificar este filme: chalado. No bom sentido, claro. ●●●○○
Leave a Reply