Se o som possante duma bateria tocada a toda a força é um bocado demais para os vossos ouvidos então não vejam Wiplash… vão acabar com uma dor de cabeça do tamanho do universo.
Porque este filme é mesmo só isto: um professor, um aluno e a sua bateria. O aluno é interpretado por um desconhecido, mas brilhante actor chamado Miles Teller; o professor obstinado é um genial J.K. Simmons, do qual só me lembro de ver como eterno actor secundário. Grande erro. Onde é que andavam estes dois actores escondidos? A resposta parece estar na cabeça de Damien Chazelle, o gajo que conseguiu ver o que mais ninguém conseguiu… Chazelle parece ser daqueles realizadores com tanta visão, que consegue passar tanta intensidade para o ecrã, que se eu fosse produtor, dava-lhe o livro de cheques para a mão e dizia-lhe simplesmente: “faz o que quiseres, mas quero outro filme com a mesma intensidade dramática do Wiplash…“.
Mas como acontece com todas as obras geniais, obviamente que Wiplash é muito mais que um professor, um aluno e a sua bateria. É chegar aos limites e ultrapassá-los. É sobre ser mais do que aquilo que se é. É aguentar quando já não se aguenta mais. É esforço, força, suor, lágrimas e sangue.
A primeira coisa que me chamou à atenção foi o título. É mesmo muito apropriado, porque é um reflexo do próprio filme. É como o som de um chicote: rápido, dilacerante, frenético, doloroso, explosivo.
Wiplash tem um tom amargo, muito, muito amargo. Não estava à espera. Em muitos daqueles momento duros do filme em que o estômago se encolhe e dá voltas, lembrei-me de Lars Von Trier. Se me dissessem que ele tinha andado por lá atrás das câmaras não estranharia muito. Mas a sensação “má”, aqui, não causa repulsa, dá a sensação de se ter uma fibra dura, inflexível, que liga todo o filme.
Só há uma palavra para este filme: genial! É uma pérola dos tempos modernos e um clássico instântaneo. É muito bom. Emendo o que disse: é excelente! ●●●●●

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