Os filmes, como tudo nesta vida, influenciam e são influenciados pelo dia que um gajo acabou de ter…
Eis alguns exemplos de “filmes medianos” que, se estiver bem disposto, até gosto. Pelo contrário, se estiver num daqueles dias em que o mundo parece que se une para nos atirar ao tapete…
“Filmes medianos” são filmes relativamente bem feitos, bem escritos, com actores que se desenrascam bem, mas que no geral, – lá está – como tudo na vida, não têm o que é preciso para chegar ao topo. É um filme que não aborrece mas que também não fica para o história. Reveem-se bem passados uns anos.
Nesta segunda incursão, três filmes dentro da temática “porrada velha” que representam bem o que são filmes medianos.
Gosto muito do tipo de realização do Walter Hill e também gosto do Arnold Schwarzenegger e especialmente do James Belushi. Deve ter sido por causa disso que já vi Red Heat para aí uma meia dúzia de vezes. Como em todos os filmes de Hill, o casting é muito bom e por isso ainda há Ed O’Ross, Laurence Fishburne (quando ainda se chamava Larry Fishburne) e a Gina “Bound” Gershon.
Arnold faz de um polícia russo que vai para Chicago atrás dum traficante de droga. As diferenças abismais e as piadas entre ele e o típico americano Belushi até fazem esquecer que este é um filme vulgar de porrada. ●●○○○
Mais recentemente encontrei um filme de porrada muito jeitoso, chamado In Bruges, do totalmente – pelo menos para mim – desconhecido Martin McDonagh. Já o elenco não é nada desconhecido: Colin Farrell, Brendan Gleeson e Ralph Fiennes dão vida a uns mafiosos que se encontram em Bruges. Sim, Bruges, aquela famosíssima cidade belga que ninguém sabe muito bem onde fica. Depois de um golpe falhado em que um inocente morre, Farrell e Gleeson vão “relaxar” (e esconder-se) uns tempos para a Bélgica (!?). Onde, obviamente, tudo começa a correr mal, quando Farrell se envolve com uma actriz e o seu amigo anão. Mesmo com esta história maluca, surpreendentemente, In Bruges é um bom filme, com bons momentos de comédia e grandes momentos de acção e pancadaria. ●●●○○
Por último, uma raridade que merece ser vista, The Raid: Redemption. Vi por mera curiosidade e ia ficando “sem cabeça”. Tudo neste filme é um enorme surpresa. O filme é indonésio mas o realizador é um… galês, chamado Gareth Evans! Vendo o filme ninguém diria. É simplesmente espectacular. Tem as melhores cenas de pancadaria que alguma vez vi. Acho que mais real que isto é impossível. Aliás, passei grande parte do filme a tentar perceber se aquilo era encenado ou se o pessoal do filme andava mesmo à pancada. Mas ninguém me tira a ideia que alguns daqueles duplos foram mesmo parar ao hospital com lesões graves. Não consigo entender como é que se filmam coisas assim. É a magia do cinema. Mas o filme não vale só pela porrada. Vale pela simplicidade de processos. É como diz o trailer: um “Ruthless Crime Lord, 20 Elite Cops, 30 Floors of Chaos”. É a prova que Hollywood tem vindo a exagerar e que não é preciso gastar biliões de dólares para fazer um simples filme de acção e porrada, embrulhados em guiões hipercomplicados e cheios de clichés. Apenas com 1 milhão de dólares, Gareth Evans, consegui meter no bolso a grande maioria dos filmes de porrada americanos. Só por isso, merece uma grande salva de palmas. Obriga a repensar a forma como os filmes de acção têm sido levados demasiado a sério pela indústria mainstream. O elenco é-me totalmente desconhecido, repleto de nomes como Iko Uwais, Joe Taslim, Donny Alamsyah, Yayan Ruhian, mas isso não faz diferença nenhuma. Proporcionaram-me as melhores cenas de luta que alguma vez vi em cinema. ●●●○○
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