Seven é um filme excelente. Não consigo ser mais sintético. É um dos melhores policiais que já vi envolvendo o tema sempre magnético dos serial killers. Desde o genérico inicial até aos créditos finais, nota-se que cada cena foi pensada e executada ao pormenor. Seven é o filme que todos os realizadores gostariam de ter feito: é simples mas ao mesmo tempo é complexo. Tem um aspecto decadente, mas também é esteticamente belo. É um drama. Um policial negro. Um filme de suspense que também está repleto de acção.
Tecnicamente é irrepreensível. Tem a música de Howard Shore que é sempre óptima e dá uma ambiência decadente e quase mística ao filme. Mas não é só a música. Tudo está primoroso em Seven: o som, a iluminação, a montagem… Tudo perfeitamente consistente. O facto de David Fincher ser um gajo dos telediscos poderia ter destruído o filme. A anterior experiência de realização tinha sido um fracasso relativo (Alien3), mas foi mais por culpa da estrutura do próprio filme do que do Fincher. (E já agora, o Alien3 só não é o melhor de todos os Alien, porque existe um Aliens do Jim Cameron…). David Fincher surpreendeu-me imenso e tornou-se imediatamente num dos meus realizadores de eleição, precisamente por ter pegado em toda a experiência visual dos telediscos e ter transformado um policial que poderia ser banal numa quase obra prima. Mas a palavra-chave aqui não é visual. É consistência. Tudo está perfeitamente unido. É um puzzle gigante em que no final todas as peças soltas encaixam na perfeição. Lembro-me perfeitamente do detective Somerset dizer algures no meio do filme que a história não ia acabar bem…
Em termos de argumento, Seven é como um relógio suíço. É uma obra de precisão meticulosamente manufacturada em que o autor está atento ao mais ínfimo pormenor. E ainda por cima está repleto de considerações acutilantes ao funcionamento da sociedade actual, que uma pessoa sabe que são verdadeiras, mas não tem coragem de as afirmar. Sendo que a base do argumento são os 7 pecados capitais, não dar uma “tacadas moralistas”, seria perder uma oportunidade de ouro, não é verdade?
Nos papéis principais, estão dois excelente actores no “pico de forma” que são tão diferentes e antagónicos que só podiam funcionar bem juntos: Morgan Freeman e Brad Pitt. Gwyneth Paltrow num papel mais secundário do que habitual como a super fragilizada mulher de Pitt está perfeita, mas quem rouba o show é sem dúvida Kevin Spacey (John Doe é sem dúvida um dos melhores serial killers da história do cinema) que apesar de só aparecer durante poucos minutos consegue ter tanto impacto no filme quando os outros actores. Muito bom.
Seven é daqueles filmes que não preciso de rever, se bem que o faço sempre que dá na TV. Não consigo resistir. Vi-o no cinema na altura da estreia. . Não sabia ao que ia. Tinha gostado imenso do filme de estreia do Fincher e fiquei curioso para ver o que iria apresentar. Logo no aspecto inicial dos créditos percebi que ia ver algo especial. Quando comecei a ouvir e a musica era NIN eu soube que vinha aí algo de único. E não me enganei-me. Mais: suplantou todas as minhas expectativas. Levei uma autêntica “pancada” na cabeça. E foi espectacular. Saí da sala de cinema e só me apetecia voltar e rever o filme… Tem cenas tão brutais, únicas e inesperadas que ficam gravadas na memória. Não é preciso lembrar ninguém do salto que deram na cadeira quando o Victor (um esquelético, mas “verdadeiro” Michael Reid MacKay) repentinamente se começa mexer naquela cama suja, pois não? Ou daquela caixa no final…
Mas como todos os filmes que são excelentes, Seven tinha de ter o final perfeito. Para mim, tem um dos melhores finais que já vi. É difícil rematar bem uma história, principalmente quando ela se vai desenvolvendo em crescendo: é preciso um daqueles finais bombásticos. Seven cumpre totalmente. Tem o remate perfeito. Seven é um daqueles raros filmes que uma pessoa tem mesmo de ver. ●●●●●