Anda meio mundo a sugerir coisas para se ver durante esta pandemia. E o pessoal está todo em casa a ver séries sobre pandemias e filmes sobre reclusão forçada em casa, por isso acho que o melhor é arranjar umas alternativas diferentes… Que sejam, digamos assim, mais emocionantes…
Craig T. Nelson e JoBeth Williams são casal normal, com uma vida rotineira que acabam de se mudar para uma casa nova. Os três filhos também não têm nada de especialmente relevante para contar. São miúdos normais. Como tantas vezes acontece com os amigos imaginários, um dia, a miúda mais pequena começa a falar com a estática da televisão… Os pais não ligam muito ao assunto, mas do dia para noite, os móveis começam a mexer-se sozinhos, ao mesmo tempo que estranhos e inexplicáveis fenómenos começam a acontecer… Os pais contratam uma série de especialistas paranormais (Beatrice Straight e Zelda Rubinstein) para resolver o assunto, mas tudo descamba para o terror quando a miúda (Heather O’Rourke) é raptada e levada pelos “seres da TV” para uma dimensão paralela…
Apesar de ser um filme de terror, na verdade ninguém morre. Acho que o pássaro da família morre, mas já não tenho a certeza. É um filme de terror com a marca Steven Spielberg portanto ninguém se magoa definitivamente. Mas também é um filme Tobe Hooper, o que quer dizer que muitas cenas são absolutamente assustadoras. Não é por nada que ainda hoje perdura a questão da autoria do filme. Spielberg ou Hooper? Conhecendo o trabalho dos dois, este parece mesmo um filme feito a quatro mãos. Apesar de ser nitidamente um filme Spielberg, não se pode menosprezar Poltergeist como sendo pouco terrorífico. Quando o vi em miúdo, assustou-me até ao tutano. Na altura as emissões de televisão tinham um fim e podia-se ver realmente a estática assim que a emissão acabava, algo que, estranhamente, quase ninguém tem noção do que é. Mas nessa altura, eu tinha medo da estática. Muito medo. Se apanhava a televisão nesse estado, corria para a desligar. Foi esse o efeito Poltergeist. É um dos grandes filmes de terror do cinema. A história é muito boa, cheia de pormenores que ficaram para posteridade. Os actores também estão muito bem. Mas há que destacar os efeitos especiais que na altura deixavam um gajo de boca aberta. Poltergeist foi um dos primeiros filmes que vi e muito provavelmente o primeiro filme de terror. Se me afastou da temática, por medo, durante muito tempo, estranhamente também teve o efeito contrário. Passado o efeito “real” da coisa, ou seja, quando finalmente cresci e percebi que do outro lado da câmara estava uma equipa de filmagem, isso deixou-me imensamente intrigado: como é que faziam aquilo? como é que punham as coisas a mexer-se sozinhas? E os raios? E a árvore? E o palhaço? Porra para o palhaço. As cenas com o palhaço aterrador devem ter traumatizado milhões de pessoas ao longo dos tempos… Acho que actualmente as pessoas têm problemas com palhaços e isso em parte deve-se ao Poltergeist…
Para além do currículo de sucesso que o filme carrega consigo, também existe uma carga muito negativa associada. Coincidência ou não, uma série de eventos trágicos têm percorrido a franchise ao longo dos tempos. Pouco depois da estreia, Dominique Dunne que fazia de filha mais velha, foi morta à porta de casa por um ex-namorado. A miúda mais nova (Heather O’Rourke) também morreu na rodagem do 3.º filme e ainda há a reportar a morte repentina de mais actores, assim como uma serie de acidentes e coisas inexplicáveis… É a chamada Maldição do Poltergeist. Há uma teoria que diz que tudo acontece porque no final deste primeiro Poltergeist foram usado esqueletos verdadeiros. Sim, esqueletos de pessoas verdadeiras para as filmagens. Em 1982 se era para atingir um grau de veracidade nos efeitos, recorria-se a tudo. E pior, a actriz (Jobeth Williams) nessa cena não sabia que os esqueletos eram verdadeiros; pensava que eram simples adereços… Weird shit…
Poltergeist foi um dos grandes sucessos de bilheteira naquele ano e um filme que marcou uma série de gente. Se em algumas situações acaba por estar um pouco datado, em muitas coisas continua a ser verdadeiramente aterrador. Até já me deu aqueles arrepios esquisitos na nuca… ●●●●○

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