Para além da música, que mais têm em comum Jim Morrison, Kurt Cobain, Janis Joplin, Jimi Hendrix e Amy Winehouse? Todos fazem parte do trágico Clube dos 27. Mais um grande talento, mais uma morte (prematura) aos 27 anos de idade. Que desperdício. É a primeira palavra que me vem à cabeça quando penso na Amy Winehouse. Desperdício. Porque é que os artistas são tão auto-destrutivos? É algo que me intriga profundamente.
Sinceramente não percebo. Presumo que a parte genuinamente artística do ser humano não seja compatível com a fama e a exposição mediática, mas por outro lado, há tantos artistas que vivem da fama que não sei se esta será a resposta certa. Se calhar nem há respostas…
Amy é um documentário (muito bom) sobre a vida conturbada, a música, a carreira e morte trágica de Amy Winehouse. É da autoria de Asif Kapadia, o mesmo responsável pelo também muito bom documentário sobre o Ayrton Senna. Com Amy, há um acesso privilegiado à vida pessoal da cantora o que em certa parte ajuda a perceber o fatídico desfecho. Pode ser uma leitura enviesada (como é quase sempre nas questões biográficas), mas parece que a demasiada exposição mediática teve de facto um peso profundo em Amy Winehouse. E também as (más) companhias, a “inclinação” para a bebida e as drogas, e as questões (de interesses) familiares. Mas por outro lado, também acabaram por ser a inspiração e a influência maior para o tipo de música, as excepcionais letras e a própria imagem que a celebrizou. Como se costuma dizer: isto está tudo ligado. Para o bem e para o mal.
Amy é um documentário que acaba por ser alegre e triste, por vezes até as duas coisas ao mesmo tempo. Está muito bem feito, muito bem escrito e ainda melhor montado. É mais um grande documentário de Asif Kapadia. O gajo é mesmo um mestre neste tipo de cinema…
Já gostava da música e da atitude, mas graças a este documentário fiquei a admirar ainda mais o talento de Amy Winehouse. ●●●●○

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