A icónica história de terror/ficção científica de Frankenstein chega mais uma vez ao cinema. E como já há décadas que não vejo um filme que preste sobre Frankenstein, fiquei logo de pé atrás.
Quando percebi que a história teria um twist, e desta vez seria contada da perspectiva do “ajudante” Igor, fiquei com medo. Muito medo. É que o Igor nem sequer é uma criação que tivesse saído do clássico de Mary Shelley, portanto… medo.
Pensei logo que seria outra chachada de acção e efeitos especiais, mas surpreendentemente até é jeitoso. James McAvoy é um bom actor e o casting secundário é fixe (Jessica Brown Findlay e Andrew Scott). Só não percebi foi presença do Harry Potter (Daniel Radcliffe) em versão cabelos compridos… Ficou marcado para sempre. É o preço do sucesso. É a vida…
Victor Frankenstein surpreendeu-me positivamente porque é um filme de acção sem perseguições, socos e (muitas) explosões e apresenta a história de uma outra forma. E estranhamente até faz algum sentido. Não sei se o Max Landis aprendeu o ofício com o pai (John Landis), mas que está muito bem escrito, lá isso está. O único ponto fraco na história é a pouca visibilidade do “monstro”, que tem obviamente uma importância enorme no impacto de toda a história. Mas percebo a lógica de se centrar mais no “criador” do que na “criação”.
Todo a história é adulterada e é quase uma súmula de várias imprecisões e invenções das várias adaptações feitas para cinema ao longo dos anos. O que em certa parte até é engraçado porque mostra que há um ecossistema à volta da personagem de Frankenstein, por assim dizer, e a base de inspiração deixou de ser apenas o livro. O Igor, por exemplo, é uma criação do clássico filme de James Whale de 1931, apesar de nesse filme, o Igor se chamar Fritz. Também a personagem “fictícia” do irmão de Victor Frankenstein, Henry, vem do clássico de Whale. Mas há mais referências durante todo o filme, e para um fã da história como eu, acaba por ser engraçado estar a identificá-las. Já para um purista do género, estas alterações na história devem ser absolutamente lancinantes… Gostos…
Não sendo propriamente memorável, Victor Frankenstein é um bom filmito steampunk de Paul McGuigan. Não é desmiolado, é genuíno e, para variar, foi uma agradável surpresa. ●●○○○

Leave a Reply