Esta (previsível) saga Deadpool é um case study. Não a percebo. Não entendo o super-herói e nem sequer entendo os seus poderes. Eu também conheço muito pouco das bandas desenhadas e portanto nem sequer conheço este super-herói. Ou melhor, este anti-super-herói. Basicamente é uma personagem que vai sendo alterada à medida que for preciso. É impressão minha, ou havia um Deadpool completamente diferente num dos filmes do Wolverine? Não interessa. Ignora-se.
Não consigo ver aqui nenhum significado e é insultuosa para tudo e todos, inclusivé para o próprio universo a que pertence. Tem a linguagem mais vulgar que me lembro de ver num filme mainstream. Parece que todos os personagens aprenderam a falar com um chulo dos anos 70. Sinceramente, mais que outra coisa qualquer, isto parece uma forma de escape para o pessoal da Marvel. Como se eles próprios quisessem criticar o seu próprio universo “vazio” mas não tivessem essa opção pois insultariam os milhões de fãs que os alimentam. Daí que Deadpool (de Tim Miller) funcione quase como uma válvula de escape para todo o ecossistema Marvel.
E mais. Pensando bem no assunto, o irónico de toda esta situação, é que Deadpool acaba por funcionar quase como uma caixa de ressonância para a crítica profissional: a personagem passa todo o filme a criticar exactamente os mesmos pontos que os críticos e diz aquilo que eles não podem dizer em público, mas que pensam enquanto assistem sorridentes nas ante-estreias. Pensando bem, este Deadpool é, se calhar, o super-herói favorito dos críticos. Quem sabe se Deadpool não é mesmo o derradeiro crítico profissional por baixo daquela fatiota vermelha? É uma incógnita com que o mundo vai ter de aprender a lidar…
Por muito que eu não goste deste filme, tenho de admitir que tem algumas piadas bem construídas e pela crítica inerente e imparável, acaba por funcionar como um antídoto aos “normais” filmes de super-heróis e foi algo totalmente diferente do que já tinha visto. E isso é positivo em qualquer situação. Até mesmo num filme como o Deadpool. ●●○○○
Depois do imenso êxito que foi insultar meio mundo “normal” e a totalidade do mundo dos “heróis”, eis que chega a inevitável sequela, com Ryan Reynolds (o verdadeiro alter-ego de Deadpool…) e Morena Baccarin a regressarem aos seus papéis. Deadpool 2 (de David Leitch) acrescenta mais insultos ao anterior, mais quebras da “quarta parede” e o também inevitável super-vilão representado por um actor (Josh Brolin – excelente em qualquer situação) de renome principescamente pago para dar alguma credibilidade a um filme que não o tem e assim também chamar mais clientela para o balcão das pipocas. É receita garantida e funciona sempre, portanto “em equipa que ganha não se mexe” e assim aconteceu mais uma vez. Espera-se um buraco no longo rol de filmes de super-herois já agendados para os próximos anos, para assim poder encaixar um Deadpool 3, que de certeza será ainda mais vulgar e insultuoso. Isto só vai parar quando o público se chatear com um piada inofensiva qualquer… ●○○○○

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