Martin Scorsese é – provavelmente – neste momento o melhor realizador vivo. O homem faz filmes de toda a espécie e feitio e faz tudo bem. É um estudioso do meio, um perfeccionista e um executante exímio na sua arte. E isso nota-se bastante bem em Shutter Island. Pelo estilo visual e pela temática da insanidade, nunca diria que este é um “Scorcese“. É um tipo de filme que nada tem a ver com Scorcese, que apresenta uma coisa e depois deixa-a desenvolver para outra completamente diferente. Todo o filme é um enorme twist de argumento, que diga-se, está exemplarmente bem escrito. Os actores são do melhor que há (Leonardo DiCaprio, Mark Ruffalo, Ben Kingsley, Max von Sydow, Michelle Williams e Elias Koteas) e dispensam mais comentários.
Portanto, o que é que falha aqui? Para mim o que falhou foi a previsibilidade. Se calhar já vi muitos filmes deste género com twist ou então foram os anos seguidos a ver religiosamente o “Alfred Hitchcock Presents“. Sinceramente, não sei. O que sei é que a meio do filme já estava a ver o que ia acontecer e isso chateou-me um bocado. Tudo me pareceu demasiado familiar, como se já tivesse visto este filme antes, ou algo muito parecido. Nesse aspecto, foi uma pequena desilusão. Vindo de um mestre como Martin Scorsese, surpreendeu-me por não me surpreender. Tirando este pequeno pormenor pessoal, Shutter Island é como uma peça de relojoaria cinematográfica, perfeitamente funcional e meticulosamente elaborada. A ver com atenção. ●●●○○

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