Até ao aparecimento da Internet e dos meios digitais, a TV era o único meio verdadeiramente global. E como tal, visto duma futura perspetiva distópica, era o meio perfeito e óbvio para um domínio totalitário. É interessante perceber que a determinada altura, as sociedades distópicas do cinema passaram do controlo pela força para o controlo das massas pelo entretenimento. Se as pessoas estiverem “desinformadas” e entretidas é mais fácil de serem controladas. E quem ia exercer esse controlo? Gigantescas e omnipresentes corporações empresariais que têm tanto lucro que esmagam literalmente as massas para a pobreza extrema. Os anos 80 conceberam e cristalizaram este pensamento. E é aqui que entra The Running Man. É exactamente isto. Um controlo pela desinformação e pelo entretenimento, aqui representado por uma reality show violento em que os concorrentes têm de literalmente lutar pela vida para chegar ao fim. Onde é que já se viu isto?! Claro que este é um filme duma fase embrionária das distopias e ainda por cima misturadas com o conceito de acção da altura. Basta ver o genério feito com a capacidade computacional de um Spectrum… Nunca poderia dar um bom filme, mas tem uma excelente ideia de fundo. Às vezes acho que o pessoal de agora vai buscar ideias aos filmes antigos. Nunca tinha ouvido falar em reality shows antes de ver o Running Man… Para além da história, tem pormenores revolucionários como por exemplo a mudança digital das caras para enganar os telespectadores.
Sendo um filme de acção puro dos 80’s, os actores ocupam um lugar bastante secundário. Tem a estrela da companhia, sendo que Arnold Schwarzenegger era o grande herói de acção do momento e vendia qualquer filme só aparecendo no cartaz. O resto do pessoal (Richard Dawson, Maria Conchita Alonso, Yaphet Kotto, Jim Brown, Jesse Ventura) esforçam-se por ter tempo de antena, mas é muito pouco. Paul Michael Glaser adapta uma história de Richard Bachman, que para quem não sabe é um pseudónimo de Stephen King (sim, o mestre negro) quando ele decidia escrever outras coisas menos macabras…
Apesar de ser fraquito, vale pela excelente ideia de base (que por acaso se passa em 2019 [em 1987 era uma data tão longínqua que se podia-se conjecturar qualquer coisa…]). E pelo Schwarzenegger, claro está. ●●○○○


Só por curiosidade… Schwarzenegger e Jesse Ventura foram para o campo da política e chegaram os dois a governador… Domínio pelo entretenimento… Será apenas uma coincidência?… Humm…