Um pianista de bar aspirante a músico de Jazz (Ryan Gosling) e uma jovem actriz (Emma Stone) à procura da sua oportunidade num cenário doce-amargo de Los Angeles. Acho que posso resumir assim La La Land. Esperei muito tempo para ver este filme. Tinha muitas reservas. Quando sinto muito hype em relação a um filme (ainda por cima, um musical), fico sempre de pé atrás, por eleva demasiado a expectiva e normalmente o resultado é uma enorme decepção. Mas não foi o caso. O hype foi totalmente justificado. Se soubesse que o realizador era o Damien Chazelle tinha-o visto mais cedo, porque até hoje nunca me falhou. É um excelente filme. Daqueles sem mácula. As músicas de Justin Hurwitz são soberbas e ficam imediatamente no ouvido. Passaram quase imediatamente a fazer parte da minha playlist regular, o que não é nada fácil de acontecer. La La Land cheira bem. E cheira a novo. Mas também tem aquele cheiro característico dos antigos filmes musicais, verdadeiros, com o Gene Kelly ou o Fred Astaire. É genuíno, faço-me entender? Gostei muito. La La Land começa bem, desenvolve-se em ritmo de crescendo e termina ainda melhor, com aquele final excepcional, tudo no correcto e idílico tom la-la-land. Quando um filme é assim tão bom, não há muito para dizer. O melhor é mesmo ver, ouvir, apreciar e ponto final. ●●●●●


PS: Para além do excelente filme que é, La La Land venceu inúmeros prémios incluindo uma série de Óscares. No entanto, vai ficar ligado a uma das maiores gaffes de sempre. Na apresentação do prémio para melhor filme, um problema com os envelopes  levou a que Warren Beatty e Faye Dunaway (os eternos Bonnie and Clyde) erradamente entregassem o prémio a La La Land. Os produtores foram como é normal para o palco fazer os seus discursos, quando se instala a confusão. Afinal, o vencedor era o filme Moonlight e não La La Land. Os produtores devolveram o Óscar e lá saíram calmamente pela lateral do palco para dar lugar aos produtores de Moonlight que lá receberam o prémio de melhor filme. Mas a troca dos envelopes e a apresentação errada do vencedor é que acabou por ficar para a história. De toda esta história rocambolesca, a única coisa que me passou pela cabeça foi que Beatty e Dunaway na realidade nunca largaram os papéis de Bonnie e Clyde. E uma vez gangster, para sempre gangster… Gosto de imaginar que foi assim e não uma simples troca de envelopes. Qual é a graça disso?…