Vi o Clash of the Titans (o original de 1981) numa matiné infantil, quando ainda era… infantil. Muito infantil. Tinha acabado de entrar na primária. Foi há tanto tempo que sinceramente já não me lembro de nada. Lembro-me que o herói era o Perseu e que tinha de salvar a princesa (Andrómeda) do malvado monstro (Kraken) e da Medusa com os seus cabelos de serpentes. Mas o que me lembro melhor é de ficar completamente pasmado com os efeitos especiais que na altura eram em stop motion animation. É preciso dizer que estes efeitos especiais “rídiculos” era do mais avançado existente na altura. E eram a verdadeira magia do cinema! Tanto assim era que pouco depois entrei num frenesim de moldagem com plasticinas para tentar fazer igual, mas infelizmente os “bonecos” não se mexiam… Lembro-me perfeitamente dos monstros: os escorpiões gigantes, o cão com as duas cabeças, o Kraken e a Medusa. E ainda havia mais, mas já não me lembro bem do que era. Na altura nem sequer sabia quem era os actores. Para mim eram todos desconhecidos. Mais tarde percebi que uns eram kitsch (Harry Hamlin), uns apareciam nos cartazes mas nunca falavam (Ursula Andress) e outros eram mesmo bons actores (Laurence Olivier, Claire Bloom e Maggie Smith). Tal como hoje acontece, o realizador não era propriamente uma peça muito importante do processo e normalmente cabia essa função a um “empregado” mais dotado tecnicamente como é o caso de Desmond Davis.
Clash os the Titans é uma relíquia. Uma peça já considerada arqueológica da história do cinema. Apesar de terem sido os alicerces dos modernos blockbusters actuais, estes filmes mais antigolas são algo totalmente distinto. A cinematografia é diferente, a música é diferente, o marketing e os cartazes eram diferentes, os actores comportavam-se e falavam de forma diferente e até a própria estrutura narrativa era diferente do actual. O cinema evoluiu tanto, humana, técnica e profissionalmente, que um filme destes (e não é assim tão antigo) é quase incompreensível aos olhos de um espectador dos dias actuais. Para mim, é apenas história e… puro saudosismo… Ha! E já que aqui estou, um grande cumprimento para o sr. Ray Harryhausen, um mestre incontestável dos efeitos especiais e um nome mítico do cinema. Gostava de ter estado consigo durante umas horas para me ensinar e ajudar a fazer aqueles monstros em plasticina mexerem-se como nos filmes… Clash of the Titans é um filme épico, cheio de acção e magia que ficou para a História do Cinema. ●●●●○

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